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Casa da Ju

Um blog sobre DIY, Costura, Livros, Filmes e mim…

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a minha questão é: porquê ter que optar?

porque é que os filhos pressupõem, como diz uma amiga minha muito especial, que apenas um dos pais possa apostar seriamente na carreira?
não consigo perceber... podem haver circunstâncias que o exijam. por exemplo 1 dos pais estar fora e o outro ter sempre a responsabilidade de toda a logística associada a uma criança, o que dificulta alguma flexibilidade horária que a responsabilidade adicional normalmente acarreta. Mas porquê quando ambos os pais estão presentes diariamente? É assim tão díficil gerir entre os dois?

É claro que é díficil. Aliás é díficil gerir só um. Mesmo quando não temos filhos quantas vezes não ficamos até mais tarde no trabalho, não nos dedicamos e entregamos demasiado? Responsabilidades acrescidas exigem semptre mais de nós. Por muito que se fale na conciliação vida pessoal-profissional, na aposta que as empresas devem fazer dando laptops a todos os colaboradores, tele-trabalho e tudo o mais, a verdade é que isso está muito longe da realidade de muitas empresas e isso, todas essas ferramentas, não impedem as exigências adicionais de trabalho, nem as horas a mais que temos que trabalhar...

E isso acontece-nos a todos. Homens ou mulheres. É assim.

E cabe a nós tentar influenciar isso. Será que no mundo empresarial somos flexiveis o suficiente com aqueles que trabalham com e para nós? Olhamos da mesma forma para 1 pessoa que sai todos os dias às 5 versus outra que sai sempre às 7? Concentramo-nos no essencial? Ou seja, no resultado do trabalho? Será que desenvolvemos o suficiente uma cultura de responsabilização e de respeito pelos outros? Responsabilização pelo trabalho que tem que ser feito e dentro dos prazos esperados. Respeito pela vida pessoal dos outros. Não telefonando tarde, fora de horários razoáveis, ao fim de semana...

1 outra grande amiga minha dizia-me noutro dia sobre o meu trabalho: "mas alex tu és diferente de mim. Eu preciso mesmo de estar com as minhas filhas algum tempo todos os dias."

Nesse dia agarrei nas minhas coisas e saí às 5 da tarde do trabalho. Foi díficil ouvir aquilo. Porque a frase pressupõe que eu não sinta querer estar com os meus filhos.

Eu sei que não foi esse o sentido. Sei mesmo. Sei porque o caso dela é especial (o pai trabalha fora do país e ela durante a semana é pai e mãe). E eu tanho 1 pai em casa. Um excelente pai. Que todos os dias dá banho. E joga Wii. E faz companhia.

Mas não consegui deixar de o sentir.

Eu sinto que tenho que estar com os meus filhos. Eu preciso de passar tempo com os meus filhos. De saber como são os dias deles. De participar. De estar envolvida. Eu chego tarde ao trabalho. Eu faço tempo em casa de manhã para ter a certeza que quando chego à escola a professora já lá está e posso falar com ela. Eu chego tarde à noite a casa. Há dias em que eles estão a meio do jantar ou mesmo jantados. Já aconteceu (é raro, mas já aconteceu) eu não ver os meus filhos durante o dia. E é duro. É muito duro. Já chorei no trabalho por isso. 1 deles diz-me muitas vezes: tens que trabalhar mais depressa! Tenho pena de não ir ver as aulas de natação da tarde deles como outras mães fazem. Tenho muita pena... Tenho pena de outras coisas...

Mas eu preciso de trabalhar. O pai precisa de trabalhar. Porque é preciso alimentá-los. E pagar a escola. E tentar ter 1 vida confortável. Porque a vida não dá.

E também porque eu preciso de trabalhar. Eu não tenho perfil para estar em casa. Eu preciso de fazer coisas. E eu tenho sorte... porque até faço coisas que gosto. E eu não consigo fazer as coisas a meio termo.

Nós, como indíviduos, devemos empenhar-nos e dar o nosso melhor nas coisas que fazemos, não é?

Quando somos pais e quando trabalhamos. Por isso porquê optar? Seguramente que se consegue conciliar... Umas vezes mais díficil. Outras vezes mais fácil. Até porque um dia os nossos filhos vão ter que fazer exactemente o mesmo. Porque não tirar-lhes já esta pressão de cima?

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