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Casa da Ju

Um blog sobre DIY, Costura, Livros, Filmes e mim…

Casa da Ju

Um blog sobre DIY, Costura, Livros, Filmes e mim…

Detesto fazer malas. Detesto. Detesto. Detesto.

Procrastino, arrasto, deixo para a última, um filme.

Ao longo dos anos fui arranjando os meus esquemas. Os cremes/líquidos que levo, a forma mais fácil e rápida de passar a segurança do aeroporto sem ter que abrir malas, como arrumar tudo na mala. Como não levar metade da casa. O tipo de roupa que combina sempre uma com a outra para maior flexibilidade. 1 mala de cabine dá para 1 semana tranquilamente, quer seja inverno ou verão. Mas é uma seca de todo o tamanho.

Esta semana vai ser Geneva, 3 dias. Depois provavelmente a Corunha. 1 dia.

Viajar a trabalho é cansativo. O aeroporto e o avião são cansativos. Desembarcar e começar logo a trabalhar. Tudo muito intensivo. Apertos de mão. Conversa de circunstância. Horários mais alargados. Falta de tempo para nós próprios e algumas saudades. Mas muitas vezes também pessoas surpreendentes, com histórias de vida muito interessantes. A última vez que fui a Itália foi isso que me aconteceu. Tenho que vos contar.

Será que esta semana vou ter a mesma sorte?

Veremos.

 

a minha questão é: porquê ter que optar?

porque é que os filhos pressupõem, como diz uma amiga minha muito especial, que apenas um dos pais possa apostar seriamente na carreira?
não consigo perceber... podem haver circunstâncias que o exijam. por exemplo 1 dos pais estar fora e o outro ter sempre a responsabilidade de toda a logística associada a uma criança, o que dificulta alguma flexibilidade horária que a responsabilidade adicional normalmente acarreta. Mas porquê quando ambos os pais estão presentes diariamente? É assim tão díficil gerir entre os dois?

É claro que é díficil. Aliás é díficil gerir só um. Mesmo quando não temos filhos quantas vezes não ficamos até mais tarde no trabalho, não nos dedicamos e entregamos demasiado? Responsabilidades acrescidas exigem semptre mais de nós. Por muito que se fale na conciliação vida pessoal-profissional, na aposta que as empresas devem fazer dando laptops a todos os colaboradores, tele-trabalho e tudo o mais, a verdade é que isso está muito longe da realidade de muitas empresas e isso, todas essas ferramentas, não impedem as exigências adicionais de trabalho, nem as horas a mais que temos que trabalhar...

E isso acontece-nos a todos. Homens ou mulheres. É assim.

E cabe a nós tentar influenciar isso. Será que no mundo empresarial somos flexiveis o suficiente com aqueles que trabalham com e para nós? Olhamos da mesma forma para 1 pessoa que sai todos os dias às 5 versus outra que sai sempre às 7? Concentramo-nos no essencial? Ou seja, no resultado do trabalho? Será que desenvolvemos o suficiente uma cultura de responsabilização e de respeito pelos outros? Responsabilização pelo trabalho que tem que ser feito e dentro dos prazos esperados. Respeito pela vida pessoal dos outros. Não telefonando tarde, fora de horários razoáveis, ao fim de semana...

1 outra grande amiga minha dizia-me noutro dia sobre o meu trabalho: "mas alex tu és diferente de mim. Eu preciso mesmo de estar com as minhas filhas algum tempo todos os dias."

Nesse dia agarrei nas minhas coisas e saí às 5 da tarde do trabalho. Foi díficil ouvir aquilo. Porque a frase pressupõe que eu não sinta querer estar com os meus filhos.

Eu sei que não foi esse o sentido. Sei mesmo. Sei porque o caso dela é especial (o pai trabalha fora do país e ela durante a semana é pai e mãe). E eu tanho 1 pai em casa. Um excelente pai. Que todos os dias dá banho. E joga Wii. E faz companhia.

Mas não consegui deixar de o sentir.

Eu sinto que tenho que estar com os meus filhos. Eu preciso de passar tempo com os meus filhos. De saber como são os dias deles. De participar. De estar envolvida. Eu chego tarde ao trabalho. Eu faço tempo em casa de manhã para ter a certeza que quando chego à escola a professora já lá está e posso falar com ela. Eu chego tarde à noite a casa. Há dias em que eles estão a meio do jantar ou mesmo jantados. Já aconteceu (é raro, mas já aconteceu) eu não ver os meus filhos durante o dia. E é duro. É muito duro. Já chorei no trabalho por isso. 1 deles diz-me muitas vezes: tens que trabalhar mais depressa! Tenho pena de não ir ver as aulas de natação da tarde deles como outras mães fazem. Tenho muita pena... Tenho pena de outras coisas...

Mas eu preciso de trabalhar. O pai precisa de trabalhar. Porque é preciso alimentá-los. E pagar a escola. E tentar ter 1 vida confortável. Porque a vida não dá.

E também porque eu preciso de trabalhar. Eu não tenho perfil para estar em casa. Eu preciso de fazer coisas. E eu tenho sorte... porque até faço coisas que gosto. E eu não consigo fazer as coisas a meio termo.

Nós, como indíviduos, devemos empenhar-nos e dar o nosso melhor nas coisas que fazemos, não é?

Quando somos pais e quando trabalhamos. Por isso porquê optar? Seguramente que se consegue conciliar... Umas vezes mais díficil. Outras vezes mais fácil. Até porque um dia os nossos filhos vão ter que fazer exactemente o mesmo. Porque não tirar-lhes já esta pressão de cima?
E amanhã recomeço o meu. Bom... recomeçar é 1 força de expressão já que por estes dias andei sempre a ver o mail e até direito a sms de trabalho durante o fds. Aliás estava agora a terminar de rever 1 tema...

O problema é que lá vão recomeçar as dificuldades com o trânsito (porque é que não colocam de uma vez por todas portagens à entrada de Lx??... ok, eu sei que é 1 sonho egoísta mas já pensaram na A5 sem 50% dos carros??) e consequentemente as dificuldades em colocar os miudos e tirá-los da escola a horas decentes...

Outra alternativa seria eu decidir comprar 1 mota, agora que já não é preciso carta para as até 125 de cilindrada. E as vespas são tão giras, não são? Com aqueles cromados e tudo...

Qual é que o problema adicional? Tlvz eu não saber andar de mota e tendo tendo como referência as minhas habilidades com a bicicleta... poder tornar-me 1 perigo potencial (para mim e para os outros...).

Quem me empresta 1 vespa? para eu praticar e decidir se é 1 boa ideia gastar dinheiro numa??
Tenho feito poucas visitas aqui ao sítio... (e foi bom vir cá hoje e saber que um amigo daqueles de longa data e para sempre esteve por aqui a visitar-me :)! que sejas muito bem vindo! ).

Porque tenho vindo tão pouco? A razão é recorrente... chama-se trabalho... e tem sido muito, mesmo muito.

Esta semana senti-me quebrar. Na 2ª feira vim para casa lá para as 9 e meia, mesmo a tempo de ler a historinha aos míudos, e confesso que só me apetecia chorar no caminho para casa (o que não é muito comum em mim...). Foi uma noite dura. Tive aquela consciência forte, quase física, de que estava a perder tempo dos meus filhos e que nada vale isso. E fiquei a trabalhar em casa pela noite dentro. Foram só 3 horas de sono e um dia de 3ºfeira para esquecer... Mt duro. Mas o projecto está a correr muito bem e pode ser que desta vez... as coisas aconteçam mesmo :).

Este tema do work life balance, tão em moda agora nos livrinhos de gestão... anda a fazer-me pensar na vida.

Gosto do que faço, gosto mesmo muito do que faço. E tenho muita sorte porque não há muita gente neste país a fazer a poder fazer o que eu faço. Sobretudo para 1 pessoa com o meu perfil. Uma engenheira recém convertida... Claro que podia ser mais bem paga. Não me pagam o suficiente para o que eu lhes dou, mas... continuo a gostar muito do que faço.

Agora como equilibrar isso com o resto da minha vida? Com as crianças, 1 pessoa ao meu lado de quem sinto falta, a família, os amigos, os meus gostos pessoais e tudo o mais?

Como fazem todas as outras pessoas? Como pode o trabalho exigir assim tanto de nós? Será razoável? Serei eu razoável?

Como se criou esta cultura nas empresas de termos que estar sempre disponíveis? Que temos que ser dedicados muito para além daquilo que é o nosso horário de trabalho?

Como se criou esta ideia de que se tem que trabalhar muito? Muitas horas? Não tirar férias? Não ter tempo para a família?

É que isto no longo prazo não é sustentável... Dizem lá os livrinhos de gestão da moda que pessoas felizes (e isso deve querer dizer com todas as horas de sono necessárias, que têm tempo para família, hobbies e etc...) são mais produtivas... Será que posso oferecer 1 desses livrinhos aos chefes lá no trabalho?

E sei que ando chata com este tema. Que me queixo muito. E sim... têm razão quando dizem que eu até gosto desta adrenalina. Que fico entusiasmada com esta tensão toda à minha volta. Que não gostaria que fosse diferente.

Mas tenho que arranjar maneira de isto se tornar mais equilibrado...

É que agora até tenho aqui neste estaminé 1 visita que gosta de cinema... e o último filme que vi no cinema foi o Ice Age 3 (versão portuguesa) com os miudos. E em casa só coisas muito pouco interessantes. Não é fácil arranjar coisas "partilhadas com amigos da net" realmente interessantes. E sinto falta disso. De ver 1 bom filme. Ler 1 bom livro. Ler o economist inteiro. Ouvir 1 CD de uma ponta à outra. Interessar-me por coisas da actualidade.
E há algumas a acontecer que bem merecem ser comentadas...

como por exemplo estas vergonhas que se andam a passar nas portas de tribunais, pais incompetentes e incapazes a pedir que se revertam decisões a favor da adopção... Mas isso comentarei noutro dia...

Agora caminha... E sim, eu prometo! Não vou voltar a lamentar-me com isto. Mas claramente tenho que dar 1 jeito nisto... até porque isto me faz cabelos brancos e ISSO É QUE NÃO PODE SER MESMO! :)
de viagem a trabalho. vou amanhã de madrugada e volto na 5ªf de madrugada.

Vai ser duro, vai ser muito intenso, mas vai ser bom. Mais um daqueles países que se não fosse a trabalho nunca iria conhecer. A equipa que vai é óptima e por isso tenho a certeza que vai correr bem...

E desta vez não vou fazer a profilaxia da malária. Vamos ver...

Tenho é já saudades. Muitas saudades. Este tempo que não estou com eles não volta... e a consciência que tenho disso faz-me sentir culpada. Que saudades...
Esta é mais uma daquelas expressões comuns na gíria das empresas portuguesas.
E hoje consegui surpreender-me pela naturalidade com que a aceito, com a facilidade com a qual convivo.
Ao que parece aconteceu agora a um amigo meu que trabalha numa típica empresa portuguesa.
Como raio é que alguém bom, muito bom fica sentado a 1 secretária sentado sem nada para fazer? Porque é que a empresa se já não o quer mais não chega a acordo com ele e o manda embora?
Pelas razões que todos já sabemos... politiquices internas, despedir em Portugal é dificílimo. Custa muito dinheiro. Tanto que o incentivo à contratação e à criação de emprego é nulo. Esta rigidez laboral com a qual convivemos faz destas coisas... que pessoas boas, muito boas fiquem emprateleiradas até que se fartem e saiam da empresa pela sua vontade.

Não há paciência para estes métodos de meia tigela que as empresas portuguesas usam.
Assim como vamos avançar? Mantendo pessoas boas numa empresa sem fazer nada? Por politiquices internas?
Não há mesmo paciência...

Gostava de voltar a respirar normalmente... deixar de ter 1 nariz que mais parece 1 torneira e voltar a ter a minha voz normal... A sério que gostava mesmo!!...


Estou em contagem decrescente para Amsterdão. Vamos na 4ªf e vamos deixar os G's com os meus pais. Vão ser 4 dias inteirinhos sem nós... e eu já estou com saudades...
Mas vai ser bom. Vai ser muito bom... Eu e o F. precisamos assim de 1 fds só para nós e num sítio diferente... e eu já não vou a Amsterdão há 1s anos... e Amsterdão é daquelas cidades onde é impossível não nos divertirmos.
Precisamos de sair para beber 1 copo, coisas assim... que agora nunca fazemos.
No limite quando a minha irmã nos faz 1 noite de babysitting vamos jantar fora perto de casa, ao Guincho ou coisa assim... Esses jantares são bons, sabem-nos bem... mas são sempre em restauarantes simpáticos onde os mais novos somos nós... não são noites de grande animação... e Amsterdão vai ser isso... Ainda por cima vamos apanhar o aniversário da raínha e ao que parece a cidade fica em festa... por isso as xpectativas são muitas e acho que vai ser óptimo...
mas as saudades deles já cá estão...


até porque até irmos não vou ter mãos a medir... tenho 1 projecto novo em mãos, daqueles com prazos apertados... e quando regressar não sei se vou ter tempo para dormir... mas logo veremos.
Acho que este projecto vai ser daqueles bem giros... o que me leva a interrogar como passando eu uma boa parte do meu tempo a lamentar-me com a quantidade de trabalho que tenho, fico logo entusiasmada com 1 coisa nova que aparece e que sei que me vai enfiar novamente em grandes picos de trabalho ou me aborreço logo com algum projecto que entre em stand by...
Será que estou a virar workaholic?? Será que já sou? Porque vejo eu os mails todos os dias antes de dormir e os vejo mal me levanto?
Acho que vou ter que repensar algumas coisas nesta minha vida... e talvez a minha relação com o trabalho seja uma delas...


que saudades...


Não tenho aparecido aqui pelo meu cantinho porque os últimos dias têm sido muito duros em termos de trabalho... deadlines a apertar...

E isto tem-me feito pensar naquele chavão que aí anda sobre "work life balance", e os modelos de sustentabilidade e responsabilidade social das empresa e afins...

A verdade é que trabalhar, ou seja não ter apenas 1 emprego, ter 1 vida profissional activa, ter aquilo a eu gosto de pensar que é uma carreira... ou seja um trabalho do qual gosto e que me realiza, que me entusiasma por 1 série de razões... e conciliar essa vida profissional com 1 vida familiar equilibrada é muito, muito díficil...

É que dá tudo muito trabalho... mesmo muito trabalho... o trabalho (pela sua própria definição...) dá trabalho e quando nos entregamos a uma coisa não é fácil abstrairmo-nos... se passo o dia a tentar resolver 1 problema, como é que apenas por entrar no carro me desligo imediatamente desse problema e me concentro noutro problema qualquer (o quê para o jantar? lavar roupa que os miudos já não têm bibe lavado para o dia a seguir?...)... Como?

E depois a vida familiar também dá muito trabalho... há 1 parte que dá trabalho que é a da logística familiar (tarefas domésticas, horários, supermercados, empregada, etc...) e depois a própria vida familiar também dá trabalho... dá trabalho ter paciência para aquela birrinha que vem antes do banho, dá trabalho ter 1 conversa interessante com o outro cá em casa, dá trabalho ter energia para as mil e 1 coisas que gostamos de fazer... às vezes apetece apenas ficar no sofá 1 bocadinho, quietinha sem ninguém por perto... sem ser suposto estar a fazer nada... apenas a estar... a existir...

Falo do trabalho que as coisas dão... não porque não goste delas... mas porque significa que temos que nos entregar às coisas... é a única maneira de funcionar e nos sentirmos mais plenos, mais completos...

Falo em trabalho, não para me queixar... mas porque é mesmo assim... as coisas dão trabalho...

Se não nos empenhamos a relação com o outro não funciona... caímos no silêncio, na rotina... Se não nos empenhamos os nossos filhos sentem isso e afastam-se... Se não nos empenhamos os amigos vão-se... afinal é tão fácil acabar por não ter tempo para eles... Se não nos empnhamos no trabalho as coisas não aparecem feitas... e não nos sentimos bem connosco...

Qual é que é o problema? O problema não é o empenho... é o equilíbrio entre tudo... é definir fronteiras... e normalmente o trabalho trabalho invade a vida familiar... e qual é a regra para saber quando já estamos a dar demais à empresa? Que regras podemos nós estabelecer? Que limites podemos nós definir?

Decidir que depois das 7 não trabalhamos mais? Que objectivos podemos traçar? Que indicadores podemos medir?

Ler 1 livro por mês?
Brincar com os G´s 2 horas por dia?
Almoçar 2x por semana com amigos?
Ver 1 filme por semana?
Trabalhar apenas (e cumprir!) 8 horas por dia?

Ou continuar tudo como está... sentir-me muito cansada de vez em quando e vir até aqui e escrever sobre isso?...