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Casa da Ju

Um blog sobre DIY, Costura, Livros, Filmes e mim…

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Esta foi a pergunta que o Jorge (que costuma estar aqui: http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/) de forma indirecta me colocou…

Temos. Todos temos medo. Ter medo é normal… É isso que nos faz ser cautelosos. É isso que nos faz reflectir nas coisas. É isso que nos faz sentir falíveis. E é esse sentimento de falibilidade que nos faz ser também solidários. Faz-nos humanos. Com falhas. Imperfeitos. Com consciência dos nossos limites.

Só que às vezes o medo também nos paralisa. Nos impede de agir. E este é que é o problema, não é?

E tudo isto a propósito de uma enorme discussão (e digo discussão no sentido positivo da palavra, de troca livre de ideias) que surgiu no nós adoptamos sobre o facto dos candidatos a adopção estarem dependentes da avaliação de uma equipa de técnicos da SS. É que desta avaliação depende a sua selecção mais rápida (ou não) para a atribuição de uma criança. E esta avaliação é muitas vezes absolutamente discricionária. As técnicas da SS escolhem os candidatos com que “engraçam” mais. O objectivo é encontrar sempre os melhores pais possíveis para as necessidades específicas de cada criança, o que leva a que a “fila de espera” dos candidatos não seja cumprida. Aliás, essa “fila de espera” só por si já é 1 absurdo porque não é 1 “fila de espera” nacional. É distrital. Na prática cada distrito tem os seus candidatos e as suas crianças. Se não existem candidatos para 1 criança num distrito as técnicas da SS, se forem de facto preocupadas com as crianças, se estiverem para aí viradas, se forem competentes, se tiverem tempo, e mais não sei quantos ses… então nesse caso procuram candidatos noutro distrito.
Os candidatos como têm noção de que a rapidez da sua selecção (sim, a rapidez… porque é muito fácil para a SS simplesmente não recusar ninguém e manter os candidatos eternamente no fundo da lista) depende das técnicas da SS, optam por não reclamar junto delas, por não as confrontar quando têm muitas vezes de facto razão para o fazer.

O medo, e a sua enorme vontade de ser pais, impede-os de agir. E isto é grave. Grave haver um tal poder nas mãos de pessoas, muitas delas que não têm formação, perfil e carácter para tanto. E isto é humano. Humano ter medo do poder que estas pessoas têm nas mãos.

Se devemos ter medo de reclamar? Não, não podemos. Não, não devemos. E penso que cada vez mais temos menos medo e reclamamos mais. Cada vez temos mais consciência de quem paga o ordenado aos Srs mal educados que nos atendem nas finanças somos nós. Cada vez temos mais noção de que podemos e devemos reclamar na SS quando as coisas não correm bem. Devemos perguntar na SS porque é que o prazo de 6 meses para avaliação de candidatos não está a ser cumprido. Devemos interrogar sempre que nos dão 1 informação incorrecta (e isso acontece muito). No entanto, penso que não devemos confundir interrogar, reclamar de forma construtiva quando de facto temos razões objectivas e concretas para o fazer, com confrontar os serviços por tudo e por nada, ter 1 postura arrogante e prepotente e reclamar por tudo e por nada, de forma não construtiva.
E penso isto relativamente aos processos de adopção e a tudo o resto na vida. Em geral zangarmo-nos não nos leva a lado nenhum (penso eu… a não ser talvez tornarmo-nos mais amargos e cinzentos)… mas é claro que às vezes acontece. Reclamamos sem ter razão e deixamos passar oportunidades legítimas para o fazer.
Dizia o Jorge que somos medrosos e que porque o somos as coisas dificilmente funcionarão bem. Que temos o país que merecemos.

Posso concordar com esta última frase mas não pelas razões que o Jorge aponta. Enquanto formos 1 país de chico espertos, do pequeno expediente, enquanto acharmos esperto o nosso vizinho que foge de forma declarada aos impostos, enquanto assim formos… então sim, temos o país que merecemos. Não tanto pelo medo… mas pela nossa Chico Espertice.

E será que deixámos passar oportunidades para reclamar no nosso processo de adopção? Sinceramente não sei… mas noutro dia vos contarei tudo. O que correu bem (e correu praticamente tudo muito bem), o que podia ter corrido melhor e as razões pelas quais pensamos que correu bem.

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